2026.6.8 Juiz acusado de burla por defraudação conhece sentença amanhã
O Tribunal Supremo marcou para amanhã, Terça-feira, 9 de Junho, a resposta aos quesitos e a leitura do acórdão do julgamento do juiz de direito José Lourenço Pereira, acusado de desviar mais de 485 milhões de kwanzas e um milhão de dólares, num processo em que responde por crimes de abuso de poder, burla por defraudação e peculato
O arguido, de 49 anos, de acordo com o Ministério Público, é juiz e colocado à data dos factos na então 8.ª secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, actual Tribunal Comarca de Belas, e está a ser acusado de ter utilizado as suas funções para ordenar operações bancárias fraudulentas, em benefício próprio e de terceiros.
A acusação sustenta que José Lourenço Pereira actuou em concertação com outros indivíduos, actualmente em fuga, para retirar valores de contas de clientes em bancos comerciais, recorrendo a ofícios e procedimentos considerados enganosos.
“O juiz, réu solto, cometeu os crimes de abuso de poder, burla por defraudação e de peculato. Prejudicou vários ofendidos retirando das suas contas um total de 485.181.277,18 milhões de kwanzas e um milhão de dólares, não obstante de ter sido já recuperada parte deste montante”, consta da lista de quesitos que serão respondidos amanhã, Terça-feira, 9. Agindo fora da sua própria jurisdição processual, o arguido em concertação com os prófugos João Albino Tchaciquinha, Denise Campos Dias dos Santos, Fernando Paixão Panguila e Jomilton Miguel Gaspar, este último ligado à empresa PKS Consultores Limitada, passou a protagonizar um conjunto de acções junto de alguns bancos comerciais com o objectivo de retirar dinheiro das contas de clientes para proveito pessoal e de terceiros, utilizando para o efeito procedimentos enganosos.
2026.6.5 Empresários portugueses queixam-se de perseguição judicial em Angola
Grupo Irmãos Chaves denuncia “padrão persecutório” na apreensão de um terreno onde quer fazer apartamentos. E pediu intervenção do Presidente de Angola, João Lourenço, e dos governos dos dois países.
O Grupo Irmãos Chaves, com sede no Funchal e investimentos em Angola, diz estar a ser “alvo de um padrão persecutório, deliberado e sistemático” no país lusófono, após um terreno adquirido para fazer um empreendimento imobiliário ter sido ocupado por elementos do Serviço de Investigação Criminal de Luanda, no cumprimento de um mandado de revista, busca e apreensão.
Os responsáveis do grupo empresarial português já apelaram à intervenção do presidente de Angola, João Lourenço, do ministro de Estado e Coordenação Económica, Lima Massano, e do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, alegando que o caso passa “uma mensagem devastadora sobre a segurança jurídica e o respeito pelo direito da propriedade em Angola”.
A ocupação do terreno de 14 mil metros quadrados, em Talatona, na província de Luanda, ocorreu a 15 de maio, sendo grafitada no portão de acesso a referência “Apreendido PGR/LDA – Proc. N.º 94.222-024”, algo que os empresários portugueses consideram, na carta enviada ao ministro de Estado, a que o DN teve acesso, uma ação “vexatória, humilhante e totalmente desproporcional face à realidade jurídica e documental que nos assiste”. Ainda segundo a exposição feita a Lima Massano, os elementos das forças de segurança angolanas que cumpriram o mandado, emitido pelo procurador da República José da Cruz Quilunda, impediram os colaboradores da subsidiária angolana Urbania Reic Angola – Investimentos Imobiliários de ficar no local, “com recurso a linguagem intimidatória e à exibição de armamento”.
A empresa angolana do Grupo Irmãos Chaves adquiriu o terreno a Eugénia Assis dos Santos em 2024, num investimento global de 2,5 milhões de dólares, entre o pagamento de 400 milhões de kwanzas e a entrega de três dos futuros fogos do Talatona Plaza – Via C3, “um projeto imobiliário de grande envergadura”, com 500 apartamentos. O Governo da Província de Luanda não exerceu o direito de preferência, foram oficializados os registos, pago o imposto sobre a transmissão onerosa e emitida a nova caderneta predial, identificando a empresa como titular a 100%.
No entanto, está a decorrer um processo, instaurado pela Procuradoria da República junto do Serviço de Investigação Criminal de Luanda, na sequência de denúncias do alegado verdadeiro proprietário do terreno, que noutras ocasiões terão sido “veementemente arquivadas, por ausência de qualquer fundamento”, garantem os empresários nacionais ao ministro de Estado e da Coordenação Económico de Angola.
Também a sociedade de advogados SVC, que representa o Grupo Irmãos Chaves – e tem em curso uma providência cautelar no Tribunal de Belas -, escreveu ao Presidente de Angola, João Lourenço, apelando à sua intervenção perante a “violação grosseira de direitos fundiários de investidor estrangeiro”. Na carta, a que o DN também teve acesso, o advogado Sebastião Vinte e Cinco responsabiliza o procurador José da Cruz Quilunda por haver no terreno “agentes de segurança privada armados com armas de guerra”, criando “um ambiente de intimidação incompatível com as garantias fundamentais”. E considera ainda mais grave que a apreensão funcione “como mecanismo indireto de transferência de posse, apesar de inexistir sentença judicial transitada em julgado ou outra razão justificativa”.
Tal como na carta a Lima Massano, é argumentado a João Lourenço que “a preocupante possibilidade de utilização indireta da máquina pública e de medidas processuais penais como instrumentos facilitadores de ocupação material efetiva” é algo que “representa sério risco para a segurança jurídica de qualquer investidor estrangeiro, abala a confiança dos empresários estrangeiros nas instituições e periga a proteção constitucional da propriedade e da posse”. E que, se isso for tolerado, “qualquer investidor estrangeiro não terá razões para investir em Angola”.
Também contactado pelos empresários portugueses foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que partilhou a documentação com o embaixador em Luanda, Nuno Mathias. Mas ressalvou que “a capacidade de ação num caso destes é bastante limitada”, pois a diplomacia nacional “não pode ter qualquer intervenção sobre processos judiciais ou de investigação em curso em Portugal ou no estrangeiro”.
Disputa envolve antigo dirigente ligado a José Eduardo dos Santos
A pessoa que alega ser o dono verdadeiro do terreno adquirido pelo grupo português é Ismael Diogo da Silva, ex-presidente da Fundação Eduardo dos Santos, ligada ao já falecido antigo Chefe de Estado angolano. Esse empresário, que chegou a estar detido em 2019, é descrito na carta do advogado do Grupo Irmãos Chaves a João Lourenço como exemplo das “pessoas gananciosas e cobiçosas” que são capazes de instrumentalizar magistrados para hostilizar investidores estrangeiros, “num ato de xenofobia e perseguição”. Tal como é alegado, na carta enviada ao ministro de Estado, que Ismael Diogo da Silva nunca apresentou “um único documento que comprove, ou sequer indicie, um direito, um interesse legítimo, ou qualquer título de propriedade sobre o terreno em causa”.
2026.6.4 Angola: Over 80 DRC Citizens Repatriated for Illegal Immigration
Mbanza Kongo — At least 83 citizens from the Democratic Republic of Congo (DRC), who were living illegally in some border areas of Zaire province, were arrested and repatriated on Wednesday by the Migration and Foreigners Service (SME) in the region.
The spokesperson for the National Police in Zaire, Superintendent Luís Bernardo, said in statements to ANGOP on Thursday that the collection of these citizens is part of the actions to control and monitor foreigners in irregular migratory situations.
He said that the operation involved personnel from the Border Guard Police and the SME and took place at the border posts of Luvo, Kanga and Mpozo.
The number of illegal immigrants repatriated through the Luvo border includes 53 men and 30 women.
Luís Bernardo appealed to the population residing in border areas with neighboring DRC to continue cooperating with the authorities, reporting the presence of illegal immigrants in their areas of jurisdiction.
Four municipalities in Zaire province, namely Luvo, Nóqui, Soyo and Quêlo, share a border with DRC over a length of 310 kilometers.
2026.6.3 Angola: Police in Nzeto Seize Truck With 35,000 Liters of Kerosene
Mbanza Kongo — A tanker truck loaded with 35,000 liters of kerosene was seized in the early hours of Tuesday in the town of Nzeto, Zaire province, for alleged fuel smuggling to neighboring DRC.
According to a statement from the Zaire Provincial Command of the National Police, which ANGOP accessed today, Wednesday, the product was initially destined for the Samba neighborhood in Luanda, but was diverted to Zaire province for undisclosed purposes. “The manifest presented by the truck driver indicates that the illuminating kerosene was destined for Luanda province, specifically the Samba neighborhood,” the document reads.
The operation involved officers from the National Police and the Criminal Investigation Service (SIC) in the municipality of Nzeto.
The driver remains in custody while investigations are underway to clarify the incident. This is the first case of its kind that the National Police in Nzeto has recorded since the beginning of this year.

The National Institute for Children (INAC) recorded 495 cases of children who were victims of sexual abuse between January and April of this year, 85 percent of which occurred within the family, according to the institution’s director-general.
Paulo Kalesi expressed “great concern” about the situation, stressing that these cases mostly involve members of the family nucleus.
“Our data tells us that every day in our country four children are sexually abused and more than 175 children are victims of violence every day,” said Paulo Kalesi in statements to Angolan Public Television.
The director of INAC appealed for the reporting of these types of cases, so that the perpetrators can be held accountable.x1200
2026.6.2 Polícia detém 331 pessoas e encerra oito áreas de exploração ilegal de ouro no Bengo
A primeira fase da operação “Fio de Ouro II”, desencadeada pela Polícia Nacional na província do Bengo a 22 de Maio deste ano, terminou nesta segunda-feira com a detenção de 331 cidadãos, dos quais 45 estrangeiros em situação migratória ilegal, maioritariamente provenientes da República Democrática do Congo (RDC).
O balanço da operação foi apresentado durante uma cerimónia de encerramento orientada pelo comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo e delegado do Ministério do Interior, Delfim Kalulu Inácio, que destacou os resultados alcançados no combate à exploração ilegal de ouro e aos crimes associados à actividade.
Durante a acção policial foram igualmente apreendidos diversos meios utilizados na actividade de garimpo, incluindo seis rádios de comunicação, uma caçadeira artesanal, três viaturas, 529 mil kwanzas em numerário e vários equipamentos de apoio à exploração ilegal do mineral.
Segundo o segundo comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo, subcomissário Fernando Ukuahamba, a operação permitiu desactivar oito áreas de exploração ilegal de ouro localizadas nos municípios do Ambriz, Muxaluando e Nambuangongo, considerados alguns dos principais focos da actividade na província.
O responsável anunciou ainda o arranque da segunda fase da operação “Fio de Ouro II”, que contará com recursos tecnológicos mais avançados para reforçar a fiscalização e o combate ao garimpo ilegal.
Fernando Ukuahamba assegurou que a Polícia Nacional continuará a desenvolver acções permanentes com o objectivo de desencorajar a exploração clandestina de ouro e garantir o cumprimento da legislação mineira em vigor.
A exploração ilegal de ouro tem sido apontada pelas autoridades como uma das principais causas de diversos problemas sociais e de segurança na província. Entre os impactos identificados destacam-se os movimentos migratórios desordenados, o crescimento de bairros informais, a pressão sobre os serviços públicos de saúde, educação e assistência social, bem como o aumento da criminalidade associada à imigração ilegal e ao contrabando.
Nos termos da legislação angolana, todos os recursos minerais em estado bruto pertencem ao Estado, estando a sua exploração sujeita às disposições do Código Mineiro e demais legislação aplicável. As autoridades alertam que a exploração ilegal de minerais constitui um fenómeno com implicações económicas, sociais, ambientais, fiscais e criminais, podendo mesmo representar uma ameaça à segurança nacional e à estabilidade do Estado.
A operação decorre numa altura em que cresce a preocupação com os riscos associados ao garimpo ilegal. Recentemente, 29 pessoas morreram na sequência do desabamento de uma mina artesanal no município de Nambuangongo, quando procediam à exploração clandestina de ouro, um incidente que voltou a expor os perigos da actividade e a necessidade de reforçar as medidas de fiscalização e controlo.
2026.5.26 Woman who died from Baton Rouge balcony fall was a lieutenant at Angola prison
The woman who died after falling from a balcony Monday night at the Tradition at 777 apartments on Ben Hur Road was a lieutenant at the Louisiana State Penitentiary.
Taylor Ganey, 26, had worked in the security team at Angola since February 2020, according to a statement from the Department of Corrections.
“Lt. Ganey’s positivity, professionalism, and camaraderie left a lasting impact on those who had the privilege of working alongside her. Her absence will be deeply felt throughout the Department, and our thoughts and prayers are with her family, friends, and colleagues during this difficult time,” the statement said.
Baton Rouge police responded to a call to the apartment complex in the 700 block of Ben Hur Road at 7:43 p.m.
Ganey was transported to the hospital where she died from her injuries.
The East Baton Rouge Parish Coroner’s Office said the cause and manner of Ganey’s death is under investigation.
“As the circumstances surrounding Lt. Ganey’s untimely death remain under investigation, the Department has no further comment at this time,” the DOC statement said.

Dozens of young Angolan villagers set off in the early hours of Saturday in search of gold and a better future, but 28 did not return.
They were buried in the mine where they sought the livelihood that would allow them to continue dreaming, a mine that turned into a nightmare. Today they descend to earth again.
In the villages where most of the miners originated, funerals are being prepared in an atmosphere of consternation, amidst tears and resignation, screams, cries, and much pain.
We are in the municipality of Nambuangongo, a name that echoes memories of death and suffering—the scene of the armed insurrection that marked the beginning of the colonial war and which is today, once again, a scene of death and struggle, this time against poverty and misery.
“The only job we have is this, to improve living conditions,” laments Sebastião Moisés Tandala, from the Kifula neighborhood, justifying what leads so many to face the risks and, often, to find death.
Twelve of the 28 victims were from this neighborhood and relatives of Paulo Miranda de Sousa, who is in “shock,” emphasizing that nothing like this has ever been seen in Nambuangongo.
“The Nambuangongo area is historically very strong, especially in the history of wars,” but this case is unprecedented, he underlines.
“Even back then, ambushes and attacks never resulted in more than ten casualties among national citizens. We never had this record. This truly shocks the community,” he tells Lusa.
“We don’t have guaranteed employment; many of us studied, finished [our schooling], but we don’t have jobs. Here it’s just machetes; we use machetes to plow the land to ensure our survival, and when this mineral resource appeared, we wanted to exploit it,” continues Sebastião Tandala, lamenting the “very great tragedy” that cost the lives of his “brothers.”
“It’s a very great pain,” he says, adding that everyone in the family lost someone.
In Kifula, the 12 graves have already been opened for the young men who, ignoring the dangers, walked for hours to the village of Balacende, where they descended to the Missaxi artisanal mine, about 30 kilometers away.
Weakened by the excavation and intense mining activity, the mine eventually collapsed, taking the young miners with it.
The frenzy began when a local youth obtained 20 to 25 grams of gold, earning him 2.6 million kwanzas—more than 2,500 dollars—a fortune in these parts.
“Since it was unprecedented, a young man from here making 2 million in one go, it sparked conversation and incited other young people to reach the mine area,” says Paulo Miranda de Sousa. From then on, more and more young people flocked to the site.
An attraction that is understandable, to a certain extent.
“It takes months, even years, to produce bananas. Producing cassava, to turn it into cornmeal, takes years. But illegal gold mining is a matter of minutes, hours. They go in with nothing and leave with anything,” he explains.
But this frenzy has a dark side, and the grieving head of the family points out that, even during the rescue, there were those who helped remove the bodies and those who took advantage to take gravel.
“Right there, in that heat, while removing people, there were people with the intention of helping the families, but there were also people taking advantage to take the gravel themselves, even with the bodies present,” he criticizes.
Behind this “frenzy” are foreign citizens from other African countries who “receive the gold at a very low price, exploiting the local youth and taking the wealth to other areas,” he says.
And what remains? “It’s just an illusion,” she points out, asking the Government to organize mining cooperatives “so that these young people stop going to these mines illegally and dangerously.”
The administrator of the Canacassala Commune, Isabel Marcelino, laments that, despite the awareness campaigns of the Bengo provincial government, many young people refuse to listen.
“Some abandon school and dedicate themselves to illegal mining for their survival. And these are the results,” she laments.
The administrator told Lusa that the authorities intend to promote artisanal cooperatives to organize the miners, while maintaining control and exploitation of the mines under government supervision, creating wealth and employment for the communities and minimizing risks.
Besides the 28 people identified, Isabel Marcelino believes there will be no more buried victims, as the families have been closely following the process of recovering the bodies.
Regarding the difficulty in stopping illegal mining, Isabel Marcelino is direct: “It’s like having a thief in the house; they often go there in the dead of night.”
The chief of Canacassala, Henriques Manuel, lost two sons-in-law, a brother, and a nephew in the ill-fated mine and assures that no one was aware of these practices—people were seduced by the quick profits because they depend almost exclusively on the land.
“It’s unusual, even for some who died it wasn’t usual for them, it was the first time, they went because they were told that [the gold] was coming in well and they risked their lives,” he tells Lusa.
“Before, we didn’t do [gold mining], we always dedicated ourselves to the life of farmers,” he emphasizes.
In this province, in addition to mineral resources, agricultural products are produced in quantity and quality.
The availability of water, fertile lands, and proximity to Luanda—where Angola’s main markets are located—make Bengo one of the provinces with the greatest agricultural potential. But young people prefer the glitter of gold to the hard life of cultivating bananas and cassava.
Joy Carlito, a native of Canacassala, lost two brothers in the early hours of Saturday and recalls that the word was that the mine “was popping up”—and it was this rumor that attracted the local youth.
“They just arrived and went in,” ready to work. Some, when they arrived at six in the morning, “found it already collapsed with our brothers inside the tunnel”—they were the first responders and managed to save four miners, who were by then out of danger.
Joy agrees that the attraction has to do with the lack of jobs and prospects: young people who refuse to resign themselves to being farmers arm themselves with pickaxes and hoes and prefer to try their luck.
Some find gold and have buyers right at the mine, managing to buy motorcycles, build their houses “and support their families.” Others lose their lives.
Vans arrive in the neighborhoods loaded with family and friends who want to say goodbye to their loved ones. Chairs are piled up, and large pots of food are served to those arriving for the funeral, following tradition.
The provincial government of Bengo has provided food aid and supplied the urns that are expected to arrive for the collective funerals, in a funeral procession that departs from Caxito, the provincial capital.
Next to a house, under a palm-leaf shelter that protects from the hot sun, dozens of women scattered on the ground observe a silent mourning—dignified and sad gazes, heavy with many tears and many deaths.
The “mothers” of the church, with their colorful cloths, echo chants that honor the dead and comfort the hearts of those who remain.

Incidente em mina ilegal de ouro aconteceu na madrugada de sábado na província angolana de Bengo. Entre as 28 vítimas mortais confirmadas, 13 pertencem à mesma família.
Um deslizamento de terras numa mina ilegal de ouro no município de Nambuangongo, na província angolana do Bengo, matou 28 garimpeiros na madrugada de sábado, informou o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB).
Wilson Baptista, citado pelo Jornal de Angola disse que o incidente ocorreu por volta das 5h na aldeia do Mucunha, a cerca de 20 quilómetros da comuna de Kicabo, tendo sido resgatadas com vida três pessoas, enquanto prosseguem operações de busca para localizar mais desaparecidos.
Segundo a Rádio Nacional de Angola, entre as 28 vítimas mortais confirmadas, 13 pertencem à mesma família.
Wilson Baptista disse que a insuficiência da rede de comunicação na região está a dificultar o trabalho das equipas no terreno, sobretudo no levantamento de informações e na coordenação das acções de resgate.
Um dos sobreviventes, Alfredo Inga “Coragem”, relatou à imprensa que chegou ao local por volta das 3h, quando encontrou dezenas de pessoas no interior de uma estrutura semelhante a um túnel improvisado para extracção de ouro.
“Quando cheguei à mata, a que chamamos Nova Luanda, estavam cerca de 60 ou 70 pessoas. O buraco parecia um túnel. Naquela confusão, o muro desabou”, disse ao Jornal de Angola.
A situação está a ser acompanhada pelo delegado provincial do Ministério do Interior no Bengo, Delfim Kalulo, e por autoridades da administração local, que reforçaram o apelo contra a prática de garimpo ilegal e defendem o aumento da fiscalização e de acções de sensibilização.
O garimpo ilegal em várias províncias angolanas tem originado várias tragédias nos últimos anos.
Em Junho de 2025, pelo menos seis pessoas morreram num intervalo de três dias em minas ilegais no Huambo, e 13 garimpeiros morreram soterrados na localidade de Tchikuele, município de Chipindo, na Huíla, numa mina clandestina de extracção de ouro e outros minerais.
Registaram-se igualmente desabamentos mortais no Bié e na Lunda-Norte, associados à extracção ilegal de diamantes, e em municípios do Huambo como Ukuma e Cuima.
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2026.5.24 Burglars steal solar panel from Ganda seismic station
Benguela – A solar panel from the National Institute of Meteorology and Geophysics (INAMET), which was powering the Ganda Seismic Station in central Benguela province, was stolen in the early hours of Saturday, the police said on Sunday.
Installed inside the Ganda Polytechnic Institute, this scientific and geophysical infrastructure is equipped to detect and record the movements and vibrations of the Earth’s crust. These tremors can originate from natural earthquakes, volcanic activity, or even industrial explosions and mining.
Speaking to ANGOP, the municipal commander of the National Police in Ganda, Superintendent Angelino Bulica, confirmed the theft of the solar equipment and that initial investigations point to two members of the security staff on duty as the main suspects, since they left the premises without even informing the school’s management about the incident.
“The security team that started their shift this morning noticed the missing panel and informed the school principal,” he said.
Angelino Bulica said that the National Police went to the home of one of the suspects, but did not locate him, while his whereabouts remains unknown.
2026.5.20 Polices’ most wanted man detained for armed robbery in Matala
Matala – Officials from the Municipal Command of the National Police in Matala, province of Huíla, arrested on Tuesday a citizen in the Muvale neighborhood who was considered “dangerous and highly wanted” by the authorities for involvement in violent crimes, mostly armed robberies, ANGOP learned.
The 37-year-old man, identified as Alberto Correia “Beto,” had been wanted since last Feb after being involved in a shootout with National Police officers following a robbery at a residence in the Calumbiro neighborhood.
According to the Matala’s municipal commander, Gilson do Rosário Ngoia, Beto was detained as part of “Operation Zero Tolerance,” which had the support of personnel from the Angola Intelligence Services (SINSE) and Criminal Investigation Service (SIC).
According to the source, the operation was coordinated by the municipal commander himself, and at the time of the arrest, the suspect was in possession of an AKM-type firearm with an altered serial number, 14 rounds of ammunition, and various “robbed” goods.
He explained that “there is reliable information” that the detainee is involved in crimes of aggravated robbery and criminal association, committed using a firearm in the municipalities of Matala, Quipungo, Chicomba, Hoque, and Cuvango.
During the operation, the police also clarified two cases of theft of motorized tricycles and seized various materials, including tires, rearview mirrors, motorcycle parts, a generator, and a TV.
2026.5.14 Homem detido na Maianga por agredir mulher acusando-a de “roubo” dos órgãos genitais
Um cidadão nacional foi detido pela Polícia Nacional no município da Maianga, em Luanda, acusado de agredir violentamente uma mulher, sob alegação de que esta lhe teria roubado os órgãos genitais, informou o porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, superintendente-chefe Nestor Goubel.
De acordo com o responsável, a vítima encontrava-se no interior de um salão de beleza quando, à entrada do estabelecimento, tocou acidentalmente na cintura do acusado, tendo pedido desculpas de imediato.
Após o incidente, o suspeito ausentou-se momentaneamente para o WC e, ao regressar, agarrou a vítima pela blusa e desferiu-lhe um golpe na cabeça com uma pedra. Em seguida, continuou as agressões utilizando um pau, enquanto acusava a mulher de lhe ter roubado os órgãos genitais.
A situação gerou alarme no local, levando vários populares a concentrarem-se junto ao salão de beleza, numa tentativa de invadir o estabelecimento para agredir a vítima.
Segundo a Polícia Nacional, efectivos deslocaram-se prontamente ao local após tomarem conhecimento da ocorrência, conseguindo efectuar a detenção do acusado antes que a situação se agravasse.
Já na esquadra, e com o objectivo de verificar a veracidade das acusações feitas pelo suspeito, os agentes acompanharam-no ao WC, onde foi constatado que os seus órgãos genitais encontravam-se intactos.
Face à gravidade dos factos, o acusado permanece detido e será presente ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes.
2026.5.1 Libertação espiritual é usada como pretexto por parte de supostos pastores para abuso sexual
Embora seja um acto veementemente condenado pelas religiões, em particular pela fé cristã, os casos de abusos sexuais alegadamente praticados por líderes religiosos têm vindo a registar um aumento preocupante na província da Huíla, em Angola.
Uma investigação conduzida por este jornal revela que, segundo relatos de vítimas, a promessa de “libertação espiritual” tem sido utilizada como pretexto por alguns pastores para se envolverem sexualmente com fiéis.
Dados recolhidos indicam que, semanalmente, são reportados entre quatro e oito casos de abuso sexual na província, um número que tem vindo a alarmar tanto as autoridades como a sociedade civil. A crescente frequência destas denúncias contraria a expectativa de que as igrejas sejam espaços de conduta exemplar e proteção dos fiéis.
Apenas no mês de Abril do corrente ano — período dedicado à juventude angolana — foram registados dois casos de alegados abusos cometidos por líderes religiosos, nos municípios do Lubango e da Palanca. No caso ocorrido no bairro da Lalula, no Lubango, um jovem de 22 anos é suspeito de ter abusado sexualmente de uma menor de 16 anos dentro de um templo denominado “Impacto da Fé”.
De acordo com o Serviço de Investigação Criminal (SIC), durante a apresentação pública do suspeito, foi referido que o alegado agressor terá convencido a vítima de que esta era portadora do vírus VIH e que necessitava de práticas específicas para alcançar a “cura espiritual”. Segundo as autoridades, o arguido afirmou ter recebido tal orientação através de uma revelação espiritual.
A menor, no entanto, não terá consentido o acto, tendo sido, alegadamente, forçada a manter relações sexuais no interior da igreja. A informação foi confirmada por Segunda Quitumba, porta-voz do SIC na Huíla, que sublinhou a gravidade do caso e a necessidade de responsabilização criminal.
Estes episódios têm vindo a intensificar o debate público sobre o papel das instituições religiosas e a urgência de reforçar mecanismos de prevenção e denúncia, de forma a proteger os fiéis.
2026.3.24 Inside the alleged Russian operation to trigger anti-government protests in Angola
Two Russians have gone on trial in Angola accused of stirring up anti-government protests, conducting a campaign of disinformation, and attempting to interfere in next year’s presidential election.
Arrested last August, political consultant Igor Ratchin and translator Lev Lakshtanov are facing 11 charges, including terrorism, espionage and influence peddling.
The BBC has obtained a copy of the indictment that includes charges relating to an alleged operation aimed at changing the political course of Angola.
The Russians’ lawyers challenge the indictment on the grounds that it lacks “concrete and objective facts”.
According to the prosecution, the Russians acted on behalf of Africa Politology, a shadowy network of operatives and intelligence officers in Africa that emerged from the now-defunct Wagner Group, whose founder Yevgeny Prigozhin died in 2023 in a plane crash.
Political operatives linked to Wagner have been active across Africa for more than a decade, in particular in the Central African Republic, Mali, and Madagascar.
The Russians’ defence team says they are not connected to Africa Politology or the Wagner Group, were not acting on behalf of the Russian state, and were instead cooperating to create a cultural “Russian House” in Luanda.
Angola is a top African oil producer and diamond exporter. Its natural resources and strategic position make it a country of continued interest for Moscow. But while ties date back to the Cold War, Angola has been gradually drifting away from Russia’s sphere of influence.
Russian diamond mining company Alrosa and bank VTB were forced to leave Angola due to international sanctions imposed because of the Ukraine war.
Angolan President João Lourenço has pivoted towards the West, and has not met his Russian counterpart Vladimir Putin since 2019.
The Russian operatives in Africa were breaking new ground by moving into Angola, it is claimed.
“This is indicative of Russian anxiety of the direction of travel of Angola under the Lourenço administration,” says Alex Vines, Africa programme director at think-tank European Council on Foreign Relations.
“There’s clearly an element of Russian disinformation to try and build up more sympathy towards the Russian Federation.”
Alongside the Russians, two Angolans will also face trial for their alleged part in the Russian-linked influence operation.
The prosecution alleges the Russians hired sports journalist Amor Carlos Tomé and political activist Francisco Oliveira to conduct their activities in the country.
They are facing nine and five charges respectively, including terrorism, espionage, and influence peddling.
The legal team representing the Angolan defendants say there isn’t sufficient evidence against them and that “the accusation is based on mere conjecture”.
Prosecutors say the first team of Russian operatives arrived in Angola’s capital, Luanda, in 2024 under the pretext of opening a Russian cultural centre, a project that never materialised.
Among the initial arrivals was Maxim Shugalei, a prominent Wagner-linked political operative sanctioned by the European Union (EU) for overseeing disinformation campaigns, whose activities in Africa were turned into a film trilogy, seemingly sponsored by Prigozhin.
He travelled to Angola with his long-term translator, Samer Suaifan. The BBC has contacted both men.
While Suaifan has acknowledged being acquainted with the defendants, Shugalei has denied knowing them.
According to the indictment, during 2024-2025 the defendants made multiple payments to local journalists and experts to disseminate propaganda and disinformation in local media with the goal of “provoking political change”. The payments add up to over $24,000 (£17,900).
Angolan authorities see this work as part of a broader influence operation intended to undermine trust in Western partners and discredit President Lourenço’s foreign policy.
One insider, who previously worked with Prigozhin on African projects, criticised these efforts as amateurish.
“This year [2025] they handed the whole African topic over to some complete idiots. It feels like they were just picked up at the Sadovod market [a street market in Moscow]. And right before New Year they really wanted publications in Angolan media. But I told them all to go to hell,” a political strategist told the BBC, without revealing who the employers were.
The prosecution cites some publications as evidence of the disinformation campaign carried out by the two Russian men.
A January 2025 post on a Facebook page that imitated recognised local news site Angola 24 Horas, calling itself a satirical page, warned that Angola could be drawn into the Ukraine war.
In December 2024 a post on the same page criticised the Lobito Corridor, a Western-backed rail project, which moves minerals from central Africa to Angola’s ports.
The post claimed foreign firms gain near-total access to Angola’s minerals. The BBC contacted the satirical page Angola 24 Horas but did not receive a response.
The post about the Lobito Corridor appeared on news website Lil Pasta News a day later. Another article published by the website speculated whether the country had “signed a pact with the Devil” by joining the project.
Lil Pasta News told the BBC that the articles in question were not written by its team but received through an intermediary. The team said that it had no contact with the author and was not paid for the publication.
The lawyers representing the Russian defendants argue that there is no evidence to suggest that Ratchin commissioned any of the articles.
Angolan prosecutors portray the group as a small but effective network. Ratchin was allegedly at its centre.
He had previously worked on several regional election campaigns in Russia that, as he claimed himself in a video seen by the BBC, ended in victories for his candidates.
Lakshtanov has worked as a translator in Angola since the Soviet era. Prosecutors believe he played a supporting role in the operation, acting primarily as a translator.
The local connection was supposedly provided by Francisco “Buka Tanda” Oliveira, a youth leader for Angola’s main opposition party, Unita, who speaks Russian after having studied chemical engineering in Russia between 2015 and 2019.
The prosecution claims he was tasked with introducing Angolan politicians to the defendants.
“He [Oliveira] doesn’t know this organisation [Politology] and any activity related to this organisation. All he knows is that they wanted to create Russian culture house,” says defence lawyer Pedro Cangombe.
Tomé, a sports journalist at Angolan state TV channel TPA, is accused of gathering information on the country’s political landscape and potential presidential candidates, as well as helping to produce and publish content linked to the alleged influence operation.
The defence for Tomé argues that “none of the subjective or objective elements” of crimes are “minimally” demonstrated in the indictment.
The indictment names six more Russian members of the network who allegedly rotated in and out of Angola at various times in 2024 and 2025.
Angolan authorities also claim in the indictment that Lakshtanov and Ratchin met several senior political figures from both the ruling MPLA party and Unita, offering support and funding for campaign activities.
Most notably, the prosecution alleges they held a meeting with MPLA heavyweight General Higino Carneiro and Unita’s leader Adalberto Costa Junior.
Both are regarded as potential presidential candidates for next year’s election.
Prosecutors claim the Russians offered Carneiro up to $15m (£11m) in campaign support, alongside security assistance, strategic advice, and intelligence gathering.
There was no evidence about this alleged offer in the indictment we have seen.
“I don’t know whether such a meeting took place,” says Elizeu Nguiniti, the lawyer representing Ratchin and Lakshtanov.
Unita representative Jonas Mulato told the BBC that allegations linking the party’s leader to foreign influence operation are false and it had become “increasingly evident” that judicial proceedings were being used for political purposes.
The BBC requested a comment from Carneiro but did not receive a response.
Agitators or scapegoats?
Last July, Angola saw the deadliest protests since the end of a civil war between Unita and the MPLA in 2002.
What started as a peaceful taxi drivers’ strike in Luanda quickly grew into nationwide unrest that turned violent.
Protesters were met with what activists describe as “excessive” police force.
According to official figures, at least 29 people died and more than 1,200 were arrested.
The prosecution alleges the defendants orchestrated the protests, pointing to notes about the demonstrations found on their mobile phones and photos taken by Ratchin.
In legal papers seen by the BBC, Ratchin’s lawyers say he took the images for safety reasons, so he would have evidence if he were attacked. The BBC hasn’t seen the photos or the notes.
Many Angolan journalists and activists strongly contest the idea that the protests weren’t organic, and say Angolan authorities might be using the Russians as scapegoats.
The World Bank estimates that almost 40% of Angolans could be living below the international poverty line of $3 per day.
“People were protesting because of their living conditions, not because someone from another country told them to,” says Sheila Nhancale, Angola researcher at Human Rights Watch.
The indictment itself has been criticised. It contains misspellings and apparent factual errors.
For example, prosecutors say the Russian operation began on 9 October 2024 with the arrival of Maxim Shugalei and others, but Shugalei was arrested in Chad on 19 September 2024 and returned to Moscow in 16 November 2024.
The BBC has requested clarification from the Angolan prosecution about this and other inconsistencies, but received no response.
Rui Verde, a legal expert and a research associate at the UK-based University of Oxford’s African Studies Centre, says the key challenge for the prosecution will be to show that the acts listed in the indictment form a deliberate pattern, a kind of intentional roadmap to subversion.
According to several sources, the Russians could be sent back to their homeland if convicted.
But Russian authorities do not seem in a hurry to offer help.
A source close to the Russian diplomatic community told the BBC that “the logic is simple: these people were not carrying out official state tasks, they were just contractors. Russia’s position in the country is already weak, so there’s no point making things worse”.
“Let these remnants of Prigozhin’s operation sort it out themselves,” the source said.
2026.2.9 SIC desmantela centro de mineração de criptomoedas com mais de 1.500 processadores e detém quatro angolanos
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) desmantelou um centro clandestino de mineração de criptomoedas, com mais de 1.500 processadores, no município de Viana, em Luanda, soube o Novo Jornal.
O centro foi descoberto no fim-de-semana, nas imediações da paragem do “Tio Show”, estava dissimulado no interior de uma fábrica antiga e operava com dois postos de transformação de energia eléctrica ligados à rede pública.
O director do gabinete de comunicação institucional e imprensa da direcção geral do SIC, Manuel Halaiwa, explica que “durante a operação foram detidos quatro cidadãos nacionais, que controlavam a infra-estrutura liderada por cidadãos chineses, que ainda não foram localizados”.
O Novo Jornal soube ainda que uma equipa do SIC-geral vai deslocar-se ao lugar, na manhã desta segunda-feira,09, para apurar as funcionalidades deste centro de grande dimensão.
2026.2.9 Detido cidadão chinês por ordenar sequestro e agressão a um funcionário por alegado roubo de frutas
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província de Malanje deteve, neste domingo, 8 de Fevereiro, um cidadão de nacionalidade chinesa, acusado de envolvimento num caso de sequestro, agressões físicas graves e outros crimes ocorridos em 2022, no município do Cahombo.
O detido, identificado como Huang Yunfeng, de 68 anos de idade, proprietário e presidente do Conselho de Administração da Fazenda Luck-Man, foi capturado no âmbito de uma investigação conduzida pelo Departamento de Operações do SIC, mediante mandado emitido pelo Ministério Público.
De acordo com as autoridades, os factos remontam ao ano de 2022 e têm como vítima um cidadão angolano de 42 anos, Domingos Vieira Nzage, à data funcionário de uma empresa de segurança que prestava serviços naquela fazenda.
O trabalhador terá sido acusado por colegas de suposto furto de frutas, situação que desencadeou a reação do proprietário da unidade agrícola.
Segundo a investigação, o empresário terá ordenado o sequestro do funcionário, que foi levado para o interior da fazenda, onde sofreu agressões físicas, foi amarrado e colocado dentro de um saco.
Posteriormente, sublinha o SIC, a vítima foi conduzida até à margem de um rio, onde lhe terá sido injectada uma substância ainda não identificada. Terá também sido dada a ordem para que o homem fosse lançado ao rio, o que não chegou a acontecer, tendo sido abandonado no local.
Como consequência das agressões, a vítima desenvolveu vários problemas de saúde, entre eles perda do olfato e do paladar, infecções cutâneas e paralisia dos membros inferiores. O seu estado físico levou ainda à perda do emprego que exercia como segurança privado.
O SIC esclarece que a vítima apresentou queixa às autoridades logo após o ocorrido, mas o suspeito encontrava-se em fuga até à sua recente detenção.
O implicado será agora encaminhado ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes.

Uma cidadã nacional, Albertina da Conceição Fragoso, de 50 anos de idade, foi detida e apresentada essa segunda-feira, em Luanda, pela Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), acusada de ajudar cidadãos estrangeiros para obterem o Bilhete de Identidade (BI)
Este facto foi avançado no município do Sequele, na província do Icolo e Bengo, durante a apresentação de resultados de acções investigativas efectuadas pelo DIIP, na semana finda em Luanda.
Segundo o porta-voz, Quintino Ferreira, a cidadã em causa e funcionária de uma loja de Registos no município do Sambizanga, está detida por, de forma fraudulenta, ter facilitado emitir seis bilhetes de identidade para indivíduos de nacionalidade congolesa.
O oficial fez saber que a cidadã já foi presente ao Juiz de Garantia e aguarda pela medida de coação pessoal a ser aplicada por este facto.
Na referida operação foi igualmente detido um líder religioso de 38 anos, acusado de ter abusado sexualmente de uma cidadã de 22 anos, com deficiência física, há cerca de três anos, tendo o acto resultado em gravidez de uma criança actualmente com dois anos de idade.
Informou que detiveram também na província de Benguela, um dos suspeitos, supostamente envolvido no assalto ocorrido no município do Hoji Ya Henda, em Luanda, no qual foi vítima uma vietnamita baleada, assim como um outro, em Cacuaco, que efectuava a clonagem de cartões multicaixas.
O DIIP recuperou duas viaturas, sendo uma carrinha e outra de modelo Toyota Hiace de cor azul e branco, ambas roubadas em parques de estacionamento, bem como estão detidos os seus presumíveis autores.
No âmbito das suas acções apreenderam uma arma de fogo do tipo AKM, Tv plasmas, botijas de gás, aparelhos de terminais de pagamentos automaticos (TPA), computadores, lençóis e porções de liamba.

Todos os factos remontam ao ano passado. Em causa estarão motivos fúteis.
O Serviço de Investigação de Criminal (SIC) deteve um homem, de 29 anos, na imagem, suspeito de ter assassinado quatro pessoas na companhia dos seus companheiros, em fuga. Os crimes ocorreram todos na cidade de Luanda, durante o ano passado.
Ao Radar Informativo, o oficial de comunicação do SIC-Luanda, Emanuel Capita, explicou que através do Departamento Municipal da Camama, o o homicida foi detido, após participar em quatro assassinatos na via pública com recurso a arma de fogo.
“O último caso ocorreu no dia 13 de Dezembro de 2025, cerca das 19:00, quando a vítima que em vida se chamou Manuel António Raimundo, solteiro de 30 anos, circulava na via pública transportado de uma motorizada de marca Kawasaki cor preta sem a chapa de matrícula, foi interpelada pelo implicado e os seus comparsas (em fuga), todos trajados a civil e munidos de uma arma de fogo do tipo AKM-47, de (cano serrado), em duas motorizada, sob fortes ameaças de morte, e pela relutância da vítima um dos implicados efectuou um disparo a queima roupa que atingiu a cabeça da vítima, tendo conhecendo a morte no local”, avança Emanuel Capita.
De seguida, segundo o oficial do SIC-Luanda, roubaram a motorizada e puseram-se em parte incerta. Investigações levadas a cabo em torno deste crime apurou-se que o implicado é, em companhia dos seus comparsas, são os autores dos crimes de outros três homicídios qualificados.
“Especificamente no bairro Dangereux rua do Bar Amarelinha na via pública, onde foi subtraído dois telemóveis de marca Tecno, valores monetários, ocorrido no dia 10 de Novembro, em que foi vítima o cidadão, Luís Calienguenda Cata, casado, de 39 anos, bancário de profissão”.
Os mesmos são ainda os responsáveis pelo homicídio qualificado em razão dos meios, especificamente no bairro Nbondo Chapé na via publica, em que foi roubada uma motorizada de cor vermelha sem marca precisa, ocorrido no dia 22 Outubro, em que foi vítima, Fernando Carrila Rodrigues, de 30 anos, Supervisor de segurança Protect.
“Homicidio qualificado em razão dos motivos, especificamente no bairro Nbondo Chapé, na via pública, facto ocorrido no passado dia 30 de Abril, em que foi vítima, Emerson Ivo Patrício Barbosa, de 34 anos, Gestor Comercial”, informou o responsável.
Segundo Emanuel Capita, foi apreendida uma motorizada de marca Apollo, em posse do acusado.
O. implicado foi presente ao Ministério Público (MP) e ao juiz de garantias, que aplicou a medida de coacção pessoal mais gravosa, prisão preventiva.
2026.1.12 Arguidos do “caso AGT” acusados do desvio de mais 100 mil milhões kz começam a ser julgados esta semana
Os arguidos do conhecido do “caso AGT”, um dos maiores processos-crime de natureza económico-financeira registados no País nos últimos anos, em que funcionários da Administração Geral Tributária (AGT), acusados de desviar mais de 100 mil milhões de kwanzas dos cofres do Estado, vão a julgamento esta quinta-feira,15, no Tribunal da Comarca de Viana, apurou o Novo Jornal.
Inicialmente a denúncia feita ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) era de 7 mil milhões de kz, mas no decorrer da investigação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou à conclusão que os mais de 30 arguidos, dois quais 14 funcionários da AGT, desviaram mais de 100 mil milhões.
Entretanto, o Novo Jornal soube por meio de uma fonte ligada ao processo que este mediático caso vai a julgamento na quinta-feira dia, 15 de Janeiro, no Tribunal da Comarca de Viana.
O “caso AGT” escandalizou o País nos primeiros meses de 2025, tento o SIC efectuado várias detenções de funcionários da AGT e aprendido diversos imóveis, em Luanda.
A ministra das Finanças, Verá Daves de Sousa, exonerou na altura vários administradores da AGT, depois das detenções do SIC, mas manteve no cargo o seu PCA, o que gerou uma onda de críticas.
No âmbito do processo foram detidos o administrador para as direcções do IVA, planeamento estratégico e tecnologias de informação, o director de cadastro e arrecadação e o chefe de departamento do reembolso do IVA.
Os arguidos são acusados dos crimes de acesso ilegítimo ao sistema de informação, falsidade informática, associação criminosa e peculato.
Segundo a acusação do Ministério Público, a rede criminosa era constituída por funcionários de diversas posições, que, aproveitando-se destes privilégios, realizavam várias negociatas fraudulentas.
A acusação sustenta que o grupo terá montado um esquema de evasão fiscal, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, provocando perdas significativas ao erário público.
As empresas visadas são acusadas de criar redes de facturação fictícia e de manipular declarações fiscais para escapar às obrigações tributárias.
Segundo o Ministério Público, esta rede criminosa operava desde 2021, recorrendo a adulterações no Sistema Integrado de Gestão Tributária (SIGT), favorecendo indevidamente várias empresas através da eliminação e redução de dívidas fiscais, emissão irregular de notas de liquidação e reembolsos indevidos de IVA, entre outras práticas lesivas.
A acusação descreve uma actuação concertada entre os envolvidos, com recurso a estratégias sofisticadas de dissimulação dos valores obtidos ilegalmente, nomeadamente a criação de empresas fictícias, aquisição de imóveis e bens de luxo, e também o envio de fundos para paraísos fiscais.
Segundo o MP, o processo da AGT é complexo, pois “há nesta instituição do Ministério das Finanças (MINFIN) uma grande rede organizada de criminosos que envergonha o País”.
Para vários analistas, este processo poderá servir de termómetro da seriedade das instituições no combate à corrupção, evasão fiscal e má gestão de recursos públicos.
2026.1.8 Cidadãos incendeiam uma aldeia para vingar morte de ente querido
Na província de Malanje, município de Calandula, bairro Hele, três cidadãos foram detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) por atearem fogo numa aldeia. A acção de retaliação pela morte de um cidadão resultou na queima de 21 casas.
Os acusados procederam de tal maneira como forma de vingarem a morte do seu ente querido, que em vida respondia pelo nome Mendonça Domingos Quissanga, morto no primeiro dia do ano 2026 numa rixa.
Segundo Augusto Barros André, chefe da área de comunicação institucional e imprensa do SIC-Malanje, os autores da morte de Mendonça encontram-se foragidos e, por este motivo, os seus parentes, nomeadamente Afonso Dala Cabanga, Lourenço André Cauana e Franco Armindo, com idades compreendidas entre os 48 e55 anos, decidiram incendiar a aldeia onde residiam os elementos do grupo rival.
Os cidadãos implicados serviram- se de recipientes cheios de gasóleo para consumar o acto, que deixou destruídas 21 residências de adobo. Depois de atearem fogo a estas residências, os criminosos puseram-se em fuga.
Segundo Augusto Barros André, logo que tiveram conhecimento do ocorrido, os efectivos do SIC deram início as diligências para a detenção dos implicados. O pior, na aldeia, só não aconteceu porque a maior parte dos moradores encontrava-se nas lavras a trabalhar. Estes cidadãos serão apresenta dos ao Ministério Público para os devidos procedimentos legais.
O SIC-Malanje mostra-se profundamente consternado com a morte do jovem Mendonça, e reforça a sua desaprovação ao acto de justiça “por mãos próprias”, apelando à sociedade a abster-se de tais práticas.
2025.12.30 SIC-Luanda “caça” dois suspeitos de violação sexual e cárcere privado a menor de 15 anos no interior de uma obra inacabada
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve na segunda-feira, 29, a tarde dois dos suspeitos de envolvimento nos crimes de violação sexual, cárcere privado, torturas e ameaças de morte a uma menor, de 15 anos, no domingo passado, cujo vídeo circula nas redes sociais.
Trata-se de Henriques Coangana Essoco Herdeiro (Eguinho), de 20 anos, e Fábio Gomes Gaspar, de 23, ambos naturais de Luanda, residentes em Viana, bairro Luanda Sul, 4 Campos.
De acordo com o referido comunicado e tendo em conta a relevância dos factos, no âmbito da prevenção e combate à criminalidade, o Serviço de Investigação Criminal apresenta, nesta terça-feira, 30, os implicados, os quais, segundo as investigações, não têm qualquer vínculo com os órgãos de defesa e segurança, para a devida responsabilização nos termos da lei.

Angola tem cerca de 5.000 quilómetros de fronteira terrestre e a falta de meios para controlar a migração irregular desafia diariamente as autoridades, disse hoje o superintendente de migração angolano. “Em Angola, os desafios [de controlo das fronteiras] são inúmeros.
O país tem cerca de cinco mil quilómetros de fronteira terrestre e mais da metade desta é com um único país, a República Democrática do Congo [RDCongo], onde os fluxos migratórios são muito mais visíveis e constituem efetivamente uma grande preocupação”, afirmou Fernando Lumaka.
Segundo o formador da Escola de Emigração e Estrangeiros de Angola, a grande característica do fenómeno migratório irregular “está exatamente nas fronteiras terrestres, onde a extensão da fronteira, a exiguidade de meios de contenção têm estado a colocar à prova, muitas vezes, a capacidade organizativa e de resposta [das autoridades]”.
Fernando Lumaka, que foi um dos oradores do Seminário Internacional sobre Segurança Pública que abordou “O Fenómeno da Imigração Irregular e a sua Implicação na Segurança Nacional dos Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP), que decorre em Luanda.
O oficial de migração fez saber também que as fronteira de Angola são controladas pela Marinha de Guerra, pela Polícia de Guarda Fronteira e pelo Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), entidade que controla o movimento migratório partir de todos os postos de fronteira, marítima, aérea ou terrestre, espalhados pelo país.
O responsável destacou ainda os normativos legais do país, que concorrem para o controlo e combate de imigração irregular, dando nota que Angola conta igualmente com um Observatório Migratório Nacional que se encarrega de proceder estudos e análise de dados de suporte à política migratória.
Sem avançar números, Fernando Lumaka considerou também que fluxos migratórios irregulares comprometem a segurança dos países – “e podem estimular convulsões se os Estados não estiverem preparados para dar resposta” -, pressionam os serviços públicos e contribuem para alteração dos valores culturais dos povos.
O seminário, enquadrado no âmbito da VI Reunião dos Ministros do Interior e da Administração Interna da CPLP, que decorre até 31 de outubro na capital angolana, contou ainda com intervenções de membros da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Direção de Migração de Moçambique e de Cabo Verde.
2025.8.3 Jovens condenados por motim em Luanda relatam agressões e injustiças
A greve nacional dos taxistas decorreu entre 28 e 30 de julho em protesto contra o aumento do preço do gasóleo. A paralisação resultou em confrontos violentos, atos de vandalismo e pilhagens em várias zonas da capital e noutras províncias.
Segundo o último balanço oficial, os incidentes causaram 30 mortos, 277 feridos e 1.515 detenções em todo o país.
“Se o povo agiu daquela maneira, alguma coisa não está bem”. É assim que João Mabiala, familiar de um dos jovens condenados por participação nos tumultos, alude aos acontecimentos do início da semana em Luanda.
O seu irmão, Geovani Mabiala, de 17 anos, foi um dos quatro arguidos presentes esta sexta-feira no Tribunal de Luanda, acusado de envolvimento nos protestos violentos que marcaram Luanda durante a greve dos taxistas entre segunda e quarta-feira.
O jovem foi condenado a seis meses de trabalho comunitário, a par de Gelson João, de 18 anos, enquanto os restantes dois arguidos, Adão Manuel, de 22 anos, e Domingos Kiaco, de 20, receberam penas até um ano e meio de prisão efetiva.
Geovani contou que se encontrava em casa no bairro do Malueca quando ouviu barulho na rua.
“As crianças, que se encontravam a brincar no quintal, correram para dentro da residência”, relatou. O quintal, vedado por chapas, foi invadido por um grupo de pessoas que fugiam à polícia e os agentes, ao entrarem no local, detiveram-no, mesmo depois de ter explicado que ali morava.
João Mabiala confirmou que o irmão foi levado sem apresentar resistência e só voltou a ser visto no tribunal.
Para João, os distúrbios resultaram de uma frustração coletiva. “A paralisação foi convocada por taxistas, mas o povo, que já está saturado, se aproveitou também (…) se o povo agiu daquela maneira é porque alguma coisa não está bem”, apontou.
“Se o povo foi invadir para ir roubar arroz, é uma pouca-vergonha, como quem diz: estamos a morrer de fome”, lamentou, pedindo que justiça seja feita.
Gelson João, também condenado a trabalho comunitário, contou que no dia da sua detenção estava a trabalhar numa oficina de produção de sofás no Cazenga. Quando um grupo invadiu o local, tentou fugir. “Quando estava a fugir, descalço, pisei num caco e a polícia agarrou-me, agrediu-me e levou para a esquadra, contou o jovem que apresentava ainda ferimentos e caminhava em bicos de pés no tribunal.
O caso de Adão Manuel, estudante de saúde de 22 anos, resultou numa pena de um ano de prisão. Disse ter sido surpreendido por tiros na rua e ter-se refugiado num quintal. Foi aí que foi detido. Exibia um braço inflamado, preso com um elástico improvisado. “Fui agredido com um porrete (cassetete) no cotovelo”, relatou.
Lucau Manuel, pai de Adão, assistiu ao julgamento com tristeza.
“Isso dá dor, porque eu não o conheço nesses caminhos”, lamentou, dizendo ter sido informado pelos vizinhos da detenção do filho e que esperava pela sua absolvição.
Os jovens foram acusados do crime de participação em motim. Três terão sido detidos em flagrante, segundo os autos, a vandalizar e saquear estabelecimentos no Cazenga na terça-feira. O quarto foi preso no primeiro dia da paralisação dos taxistas, que descambou em atos de violência, pilhagens e confrontos com a polícia em Luanda e noutras províncias.
A Ordem dos Advogados de Angola montou entretanto uma equipa especial para prestar apoio jurídico gratuito aos detidos.
“Queremos dar um bocadinho de acalento aos arguidos e garantir uma defesa adequada, nos termos da lei”, explicou à Lusa o advogado Picasso Andrade, coordenador da equipa.
Segundo o causídico, as penas no âmbito do processo sumário variam entre três dias e três anos, mas muitos arguidos têm sido condenados a penas até um ano e meio e muitos casos têm sido alvo de recurso.
“Constatámos muitas incongruências”, disse. “Há absolvições justas. Estamos aqui em prol da defesa dos direitos fundamentais, liberdade e garantias dos arguidos.”
“Hoje estamos com uma lista de 25 advogados, tivemos um clima mais ou menos positivo, muito ao contrário dos dois dias anteriores”, resumiu Picasso Andrade.
2025.7.31 Luanda começa a regressar à normalidade após três dias de caos que fizeram 22 mortos e mais de mil detidos


A capital angolana tenta retomar o quotidiano após protestos violentos que deixaram um rasto de destruição e dezenas de vítimas
Luanda começou hoje a regressar à normalidade, após três dias de paralisação dos taxistas que deram origem a violentos tumultos, pilhagens e confrontos, provocando 22 mortos, 197 feridos e 1214 detenções, segundo as autoridades.
Esta manhã, o trânsito fluía com regularidade, embora a presença policial continuasse visível nas principais vias da capital.
Na estrada da Via Expressa, que liga o Zango a Cacuaco, a circulação era tranquila. As bombas de combustível permaneciam com fraca adesão e algumas mantinham vigilância policial.
Os armazéns de comerciantes chineses continuam com proteção reforçada, com viaturas da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) a inspecionar mochilas e pastas de quem acedia aos estabelecimentos comerciais.
Também o movimento de rua voltava gradualmente ao ritmo habitual, com zungueiras e vendedores ambulantes contentes com o regresso à “vida normal”, apesar de os vestígios de destruição dos pneus queimados no asfalto estarem ainda visíveis.
Mototaxistas, assim como os populares “azuis e brancos” (táxis privados), voltaram a circular em maior número, enquanto se acumulavam pessoas nas paragens a retomar as suas rotinas, a caminho dos locais de trabalho.
Na Praça da Independência, mais conhecida como Praça 1º de Maio, ponto central da capital angolana, o trânsito estava esta manhã bastante menos intenso do que o habitual, dando quase a impressão de um fim de semana.
Os atos de violência registaram-se na sequência de uma paralisação convocada por cooperativas e associações de táxis, em protesto contra a subida do preço dos combustíveis e das tarifas de transporte público.
O Governo classificou os acontecimentos como “atos de vandalismo” e levou hoje ao Conselho de Ministros o ponto de situação dos distúrbios.
O balanço foi apresentado pelo ministro do Interior, Manuel Homem, que deu conta de 22 mortos, 197 feridos e 1214 detenções apenas na província de Luanda.
Também as empresas do sector comercial e da distribuição alimentar foram fortemente afetadas pelas pilhagens, com a Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA) a considerar os acontecimentos um “desastre”.
2025.7.29 Cheira “pólvora” em Angola: Protestos contra custo de vida lançam caos em Luanda

A capital angolana, Luanda, foi abalada por uma onda de protestos violentos, marcada por episódios de vandalismo e pilhagens, que já causaram vítimas mortais – apesar de ainda não haver dados oficiais.
Segundo uma publicação do Notícias ao Minuto, os distúrbios coincidiram com o primeiro dia de greve dos taxistas em Luanda, que reclamam a subida dos combustíveis, e com as manifestações (programadas também para terça e quarta-feira) contra o aumento do custo de vida em Angola.
Contudo, os ânimos inflamaram e grupos de jovens revoltados com as condições no país invadiram diversas zonas da cidade e das periferias, causando o caos. Estradas bloqueadas com barricadas e pneus incendiados, estabelecimentos comerciais e viaturas vandalizadas, incluindo autocarros e carros da polícia.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, milhares de pessoas são vistas pelas ruas, carregadas com produtos pilhados de lojas ou a perseguir transportes que circulavam nas ruas. Alguns queimaram cartazes com a imagem do presidente angolano João Lourenço, que regressou ao país no dia dos tumultos, depois de uma visita de três dias a Portugal.
Nas ruas, as autoridades disparavam para o ar para tentar dispersar as multidões e repor a ordem na capital, e foram obrigados a interditar as vias barricadas e com pneus incendiados para controlar os distúrbios.
A Associação das Empresas do Comércio e da Distribuição Moderna de Angola (Ecodima) anunciou que todos os estabelecimentos comerciais iam fechar mais cedo temporariamente para assegurar a “salvaguarda de pessoas e bens”. Pelo menos nos próximos dias, o horário de encerramento passa a ser às 17h.
Ao longo do dia, outros estabelecimentos foram anunciando o encerramento dos balcões, pelo menos, até quarta-feira. Lojas, supermercados, e até algumas escolas, fecharam as portas por precaução, enquanto a capital angolana não regressa à normalidade.
O estado angolano não demorou a reagir aos desacatos em Luanda. Num comunicado lido em televisão nacional, o governo disse que as “acções criminosas que atentam contra a estabilidade pública representam um ataque ao Estado democrático e de direito e ao bem-estar dos cidadãos”.
Segundo o Ministério do Interior, “são atos premeditados de sabotagem e intimidação que não serão, em hipótese alguma, tolerados, pelo que as autoridades estão a tomar todas as medidas necessárias para a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, bem como para identificar, responsabilizar e levar à justiça os mandantes e executores desses atos deploráveis”.
Em conferência de imprensa, o porta-voz da Polícia Nacional, o subcomissário Mateus Rodrigues garante que a situação já está sob controlo, e que cerca de 100 pessoas foram detidas por perturbação da ordem pública. E frisa que mais pessoas vão ser detidas e levadas à justiça pelos desacatos em Luanda.
“Temos dados, temos imagens, nós continuamos com a investigação e todos aqueles que praticaram os atos de pilhagem serão detidos, para além destes 100, haverá outras detenções e todos eles serão levados aos órgãos de justiça”, afirmou o subcomissário.
Neste último balanço (até ao momento) as autoridades deram conta de pelo menos 20 autocarros destruídos, sendo que os que foram danificados ainda estão por contabilizar.
Quanto às vítimas, a polícia não forneceu qualquer tipo de informação, nem sobre feridos durante os tumultos. Na primeira intervenção, tinham mencionado uma pessoa ferida, que terá sido, entretanto, socorrida.
No entanto, testemunhas garantem haver mortos, apesar de a polícia não adiantar estas informações.
O porta-voz da Polícia Nacional fez, no entanto, questão de realçar que os dados apresentados ainda são preliminares e que a polícia continua a receber informações de vários pontos da cidade onde os tumultos ocorreram.

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