Angola! Detido cidadão chinês por ordenar sequestro e agressão a um funcionário por alegado roubo de frutas, SIC desmantela centro de mineração de criptomoedas com mais de 1.500 processadores e detém quatro angolanos, SIC detém criminoso por quatro homicídios com disparos de arma de fogo, SIC-Luanda “caça” dois suspeitos de violação sexual e cárcere privado a menor de 15 anos no interior de uma obra inacabada, Cheira “pólvora” em Angola, Luanda começa a regressar à normalidade após três dias de caos que fizeram 22 mortos e mais de mil detidos, Jovens condenados por motim em Luanda relatam agressões e injustiças, Cidadã nacional detida por facilitar cidadãos congoleses a obter BI, Faltam meios para controlar migração irregular para Angola – dirigente, Arguidos do “caso AGT” acusados do desvio de mais 100 mil milhões kz começam a ser julgados esta semana

2026.2.9 SIC desmantela centro de mineração de criptomoedas com mais de 1.500 processadores e detém quatro angolanos
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) desmantelou um centro clandestino de mineração de criptomoedas, com mais de 1.500 processadores, no município de Viana, em Luanda, soube o Novo Jornal.
O centro foi descoberto no fim-de-semana, nas imediações da paragem do “Tio Show”, estava dissimulado no interior de uma fábrica antiga e operava com dois postos de transformação de energia eléctrica ligados à rede pública.
O director do gabinete de comunicação institucional e imprensa da direcção geral do SIC, Manuel Halaiwa, explica que “durante a operação foram detidos quatro cidadãos nacionais, que controlavam a infra-estrutura liderada por cidadãos chineses, que ainda não foram localizados”.
O Novo Jornal soube ainda que uma equipa do SIC-geral vai deslocar-se ao lugar, na manhã desta segunda-feira,09, para apurar as funcionalidades deste centro de grande dimensão.

2026.2.9 Detido cidadão chinês por ordenar sequestro e agressão a um funcionário por alegado roubo de frutas
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província de Malanje deteve, neste domingo, 8 de Fevereiro, um cidadão de nacionalidade chinesa, acusado de envolvimento num caso de sequestro, agressões físicas graves e outros crimes ocorridos em 2022, no município do Cahombo.
O detido, identificado como Huang Yunfeng, de 68 anos de idade, proprietário e presidente do Conselho de Administração da Fazenda Luck-Man, foi capturado no âmbito de uma investigação conduzida pelo Departamento de Operações do SIC, mediante mandado emitido pelo Ministério Público.
De acordo com as autoridades, os factos remontam ao ano de 2022 e têm como vítima um cidadão angolano de 42 anos, Domingos Vieira Nzage, à data funcionário de uma empresa de segurança que prestava serviços naquela fazenda.
O trabalhador terá sido acusado por colegas de suposto furto de frutas, situação que desencadeou a reação do proprietário da unidade agrícola.
Segundo a investigação, o empresário terá ordenado o sequestro do funcionário, que foi levado para o interior da fazenda, onde sofreu agressões físicas, foi amarrado e colocado dentro de um saco.
Posteriormente, sublinha o SIC, a vítima foi conduzida até à margem de um rio, onde lhe terá sido injectada uma substância ainda não identificada. Terá também sido dada a ordem para que o homem fosse lançado ao rio, o que não chegou a acontecer, tendo sido abandonado no local.
Como consequência das agressões, a vítima desenvolveu vários problemas de saúde, entre eles perda do olfato e do paladar, infecções cutâneas e paralisia dos membros inferiores. O seu estado físico levou ainda à perda do emprego que exercia como segurança privado.
O SIC esclarece que a vítima apresentou queixa às autoridades logo após o ocorrido, mas o suspeito encontrava-se em fuga até à sua recente detenção.
O implicado será agora encaminhado ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes.

2026.1.26 Cidadã nacional detida por facilitar cidadãos congoleses a obter BI
Uma cidadã nacional, Albertina da Conceição Fragoso, de 50 anos de idade, foi detida e apresentada essa segunda-feira, em Luanda, pela Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), acusada de ajudar cidadãos estrangeiros para obterem o Bilhete de Identidade (BI)
Este facto foi avançado no município do Sequele, na província do Icolo e Bengo, durante a apresentação de resultados de acções investigativas efectuadas pelo DIIP, na semana finda em Luanda.
Segundo o porta-voz, Quintino Ferreira, a cidadã em causa e funcionária de uma loja de Registos no município do Sambizanga, está detida por, de forma fraudulenta, ter facilitado emitir seis bilhetes de identidade para indivíduos de nacionalidade congolesa.
O oficial fez saber que a cidadã já foi presente ao Juiz de Garantia e aguarda pela medida de coação pessoal a ser aplicada por este facto.
Na referida operação foi igualmente detido um líder religioso de 38 anos, acusado de ter abusado sexualmente de uma cidadã de 22 anos, com deficiência física, há cerca de três anos, tendo o acto resultado em gravidez de uma criança actualmente com dois anos de idade.
Informou que detiveram também na província de Benguela, um dos suspeitos, supostamente envolvido no assalto ocorrido no município do Hoji Ya Henda, em Luanda, no qual foi vítima uma vietnamita baleada, assim como um outro, em Cacuaco, que efectuava a clonagem de cartões multicaixas.
O DIIP recuperou duas viaturas, sendo uma carrinha e outra de modelo Toyota Hiace de cor azul e branco, ambas roubadas em parques de estacionamento, bem como estão detidos os seus presumíveis autores.
No âmbito das suas acções apreenderam uma arma de fogo do tipo AKM, Tv plasmas, botijas de gás, aparelhos de terminais de pagamentos automaticos (TPA), computadores, lençóis e porções de liamba.
2026.1.15 SIC detém criminoso por quatro homicídios com disparos de arma de fogo
Todos os factos remontam ao ano passado. Em causa estarão motivos fúteis.
O Serviço de Investigação de Criminal (SIC) deteve um homem, de 29 anos, na imagem, suspeito de ter assassinado quatro pessoas na companhia dos seus companheiros, em fuga. Os crimes ocorreram todos na cidade de Luanda, durante o ano passado.
Ao Radar Informativo, o oficial de comunicação do SIC-Luanda, Emanuel Capita, explicou que através do Departamento Municipal da Camama, o o homicida foi detido, após participar em quatro assassinatos na via pública com recurso a arma de fogo.
“O último caso ocorreu no dia 13 de Dezembro de 2025, cerca das 19:00, quando a vítima que em vida se chamou Manuel António Raimundo, solteiro de 30 anos, circulava na via pública transportado de uma motorizada de marca Kawasaki cor preta sem a chapa de matrícula, foi interpelada pelo implicado e os seus comparsas (em fuga), todos trajados a civil e munidos de uma arma de fogo do tipo AKM-47, de (cano serrado), em duas motorizada, sob fortes ameaças de morte, e pela relutância da vítima um dos implicados efectuou um disparo a queima roupa que atingiu a cabeça da vítima, tendo conhecendo a morte no local”, avança Emanuel Capita.
De seguida, segundo o oficial do SIC-Luanda, roubaram a motorizada e puseram-se em parte incerta. Investigações levadas a cabo em torno deste crime apurou-se que o implicado é, em companhia dos seus comparsas, são os autores dos crimes de outros três homicídios qualificados.
“Especificamente no bairro Dangereux rua do Bar Amarelinha na via pública, onde foi subtraído dois telemóveis de marca Tecno, valores monetários, ocorrido no dia 10 de Novembro, em que foi vítima o cidadão, Luís Calienguenda Cata, casado, de 39 anos, bancário de profissão”.
Os mesmos são ainda os responsáveis pelo homicídio qualificado em razão dos meios, especificamente no bairro Nbondo Chapé na via publica, em que foi roubada uma motorizada de cor vermelha sem marca precisa, ocorrido no dia 22 Outubro, em que foi vítima, Fernando Carrila Rodrigues, de 30 anos, Supervisor de segurança Protect.
“Homicidio qualificado em razão dos motivos, especificamente no bairro Nbondo Chapé, na via pública, facto ocorrido no passado dia 30 de Abril, em que foi vítima, Emerson Ivo Patrício Barbosa, de 34 anos, Gestor Comercial”, informou o responsável.
Segundo Emanuel Capita, foi apreendida uma motorizada de marca Apollo, em posse do acusado.
O. implicado foi presente ao Ministério Público (MP) e ao juiz de garantias, que aplicou a medida de coacção pessoal mais gravosa, prisão preventiva.
2026.1.12 Arguidos do “caso AGT” acusados do desvio de mais 100 mil milhões kz começam a ser julgados esta semana

Os arguidos do conhecido do “caso AGT”, um dos maiores processos-crime de natureza económico-financeira registados no País nos últimos anos, em que funcionários da Administração Geral Tributária (AGT), acusados de desviar mais de 100 mil milhões de kwanzas dos cofres do Estado, vão a julgamento esta quinta-feira,15, no Tribunal da Comarca de Viana, apurou o Novo Jornal.

Inicialmente a denúncia feita ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) era de 7 mil milhões de kz, mas no decorrer da investigação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou à conclusão que os mais de 30 arguidos, dois quais 14 funcionários da AGT, desviaram mais de 100 mil milhões.

Entretanto, o Novo Jornal soube por meio de uma fonte ligada ao processo que este mediático caso vai a julgamento na quinta-feira dia, 15 de Janeiro, no Tribunal da Comarca de Viana.

O “caso AGT” escandalizou o País nos primeiros meses de 2025, tento o SIC efectuado várias detenções de funcionários da AGT e aprendido diversos imóveis, em Luanda.

A ministra das Finanças, Verá Daves de Sousa, exonerou na altura vários administradores da AGT, depois das detenções do SIC, mas manteve no cargo o seu PCA, o que gerou uma onda de críticas.

No âmbito do processo foram detidos o administrador para as direcções do IVA, planeamento estratégico e tecnologias de informação, o director de cadastro e arrecadação e o chefe de departamento do reembolso do IVA.

Os arguidos são acusados dos crimes de acesso ilegítimo ao sistema de informação, falsidade informática, associação criminosa e peculato.

Segundo a acusação do Ministério Público, a rede criminosa era constituída por funcionários de diversas posições, que, aproveitando-se destes privilégios, realizavam várias negociatas fraudulentas.

A acusação sustenta que o grupo terá montado um esquema de evasão fiscal, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, provocando perdas significativas ao erário público.

As empresas visadas são acusadas de criar redes de facturação fictícia e de manipular declarações fiscais para escapar às obrigações tributárias.

Segundo o Ministério Público, esta rede criminosa operava desde 2021, recorrendo a adulterações no Sistema Integrado de Gestão Tributária (SIGT), favorecendo indevidamente várias empresas através da eliminação e redução de dívidas fiscais, emissão irregular de notas de liquidação e reembolsos indevidos de IVA, entre outras práticas lesivas.

A acusação descreve uma actuação concertada entre os envolvidos, com recurso a estratégias sofisticadas de dissimulação dos valores obtidos ilegalmente, nomeadamente a criação de empresas fictícias, aquisição de imóveis e bens de luxo, e também o envio de fundos para paraísos fiscais.

Segundo o MP, o processo da AGT é complexo, pois “há nesta instituição do Ministério das Finanças (MINFIN) uma grande rede organizada de criminosos que envergonha o País”.

Para vários analistas, este processo poderá servir de termómetro da seriedade das instituições no combate à corrupção, evasão fiscal e má gestão de recursos públicos.

2026.1.8 Cidadãos incendeiam uma aldeia para vingar morte de ente querido
Na província de Malanje, município de Calandula, bairro Hele, três cidadãos foram detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) por atearem fogo numa aldeia. A acção de retaliação pela morte de um cidadão resultou na queima de 21 casas.
Os acusados procederam de tal maneira como forma de vingarem a morte do seu ente querido, que em vida respondia pelo nome Mendonça Domingos Quissanga, morto no primeiro dia do ano 2026 numa rixa.
Segundo Augusto Barros André, chefe da área de comunicação institucional e imprensa do SIC-Malanje, os autores da morte de Mendonça encontram-se foragidos e, por este motivo, os seus parentes, nomeadamente Afonso Dala Cabanga, Lourenço André Cauana e Franco Armindo, com idades compreendidas entre os 48 e55 anos, decidiram incendiar a aldeia onde residiam os elementos do grupo rival.
Os cidadãos implicados serviram- se de recipientes cheios de gasóleo para consumar o acto, que deixou destruídas 21 residências de adobo. Depois de atearem fogo a estas residências, os criminosos puseram-se em fuga.
Segundo Augusto Barros André, logo que tiveram conhecimento do ocorrido, os efectivos do SIC deram início as diligências para a detenção dos implicados. O pior, na aldeia, só não aconteceu porque a maior parte dos moradores encontrava-se nas lavras a trabalhar. Estes cidadãos serão apresenta dos ao Ministério Público para os devidos procedimentos legais.
O SIC-Malanje mostra-se profundamente consternado com a morte do jovem Mendonça, e reforça a sua desaprovação ao acto de justiça “por mãos próprias”, apelando à sociedade a abster-se de tais práticas.

2025.12.30 SIC-Luanda “caça” dois suspeitos de violação sexual e cárcere privado a menor de 15 anos no interior de uma obra inacabada
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve na segunda-feira, 29, a tarde dois dos suspeitos de envolvimento nos crimes de violação sexual, cárcere privado, torturas e ameaças de morte a uma menor, de 15 anos, no domingo passado, cujo vídeo circula nas redes sociais.
Trata-se de Henriques Coangana Essoco Herdeiro (Eguinho), de 20 anos, e Fábio Gomes Gaspar, de 23, ambos naturais de Luanda, residentes em Viana, bairro Luanda Sul, 4 Campos.
De acordo com o referido comunicado e tendo em conta a relevância dos factos, no âmbito da prevenção e combate à criminalidade, o Serviço de Investigação Criminal apresenta, nesta terça-feira, 30, os implicados, os quais, segundo as investigações, não têm qualquer vínculo com os órgãos de defesa e segurança, para a devida responsabilização nos termos da lei.

2025.10.29 Faltam meios para controlar migração irregular para Angola – dirigente
Angola tem cerca de 5.000 quilómetros de fronteira terrestre e a falta de meios para controlar a migração irregular desafia diariamente as autoridades, disse hoje o superintendente de migração angolano. “Em Angola, os desafios [de controlo das fronteiras] são inúmeros.
O país tem cerca de cinco mil quilómetros de fronteira terrestre e mais da metade desta é com um único país, a República Democrática do Congo [RDCongo], onde os fluxos migratórios são muito mais visíveis e constituem efetivamente uma grande preocupação”, afirmou Fernando Lumaka.
Segundo o formador da Escola de Emigração e Estrangeiros de Angola, a grande característica do fenómeno migratório irregular “está exatamente nas fronteiras terrestres, onde a extensão da fronteira, a exiguidade de meios de contenção têm estado a colocar à prova, muitas vezes, a capacidade organizativa e de resposta [das autoridades]”.
Fernando Lumaka, que foi um dos oradores do Seminário Internacional sobre Segurança Pública que abordou “O Fenómeno da Imigração Irregular e a sua Implicação na Segurança Nacional dos Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP), que decorre em Luanda.
O oficial de migração fez saber também que as fronteira de Angola são controladas pela Marinha de Guerra, pela Polícia de Guarda Fronteira e pelo Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), entidade que controla o movimento migratório partir de todos os postos de fronteira, marítima, aérea ou terrestre, espalhados pelo país.
O responsável destacou ainda os normativos legais do país, que concorrem para o controlo e combate de imigração irregular, dando nota que Angola conta igualmente com um Observatório Migratório Nacional que se encarrega de proceder estudos e análise de dados de suporte à política migratória.
Sem avançar números, Fernando Lumaka considerou também que fluxos migratórios irregulares comprometem a segurança dos países – “e podem estimular convulsões se os Estados não estiverem preparados para dar resposta” -, pressionam os serviços públicos e contribuem para alteração dos valores culturais dos povos.
O seminário, enquadrado no âmbito da VI Reunião dos Ministros do Interior e da Administração Interna da CPLP, que decorre até 31 de outubro na capital angolana, contou ainda com intervenções de membros da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Direção de Migração de Moçambique e de Cabo Verde.
2025.8.3 Jovens condenados por motim em Luanda relatam agressões e injustiças

A greve nacional dos taxistas decorreu entre 28 e 30 de julho em protesto contra o aumento do preço do gasóleo. A paralisação resultou em confrontos violentos, atos de vandalismo e pilhagens em várias zonas da capital e noutras províncias.

Segundo o último balanço oficial, os incidentes causaram 30 mortos, 277 feridos e 1.515 detenções em todo o país.

“Se o povo agiu daquela maneira, alguma coisa não está bem”. É assim que João Mabiala, familiar de um dos jovens condenados por participação nos tumultos, alude aos acontecimentos do início da semana em Luanda.

O seu irmão, Geovani Mabiala, de 17 anos, foi um dos quatro arguidos presentes esta sexta-feira no Tribunal de Luanda, acusado de envolvimento nos protestos violentos que marcaram Luanda durante a greve dos taxistas entre segunda e quarta-feira.

O jovem foi condenado a seis meses de trabalho comunitário, a par de Gelson João, de 18 anos, enquanto os restantes dois arguidos, Adão Manuel, de 22 anos, e Domingos Kiaco, de 20, receberam penas até um ano e meio de prisão efetiva.

Geovani contou que se encontrava em casa no bairro do Malueca quando ouviu barulho na rua.

“As crianças, que se encontravam a brincar no quintal, correram para dentro da residência”, relatou. O quintal, vedado por chapas, foi invadido por um grupo de pessoas que fugiam à polícia e os agentes, ao entrarem no local, detiveram-no, mesmo depois de ter explicado que ali morava.

João Mabiala confirmou que o irmão foi levado sem apresentar resistência e só voltou a ser visto no tribunal.

Para João, os distúrbios resultaram de uma frustração coletiva. “A paralisação foi convocada por taxistas, mas o povo, que já está saturado, se aproveitou também (…) se o povo agiu daquela maneira é porque alguma coisa não está bem”, apontou.

“Se o povo foi invadir para ir roubar arroz, é uma pouca-vergonha, como quem diz: estamos a morrer de fome”, lamentou, pedindo que justiça seja feita.

Gelson João, também condenado a trabalho comunitário, contou que no dia da sua detenção estava a trabalhar numa oficina de produção de sofás no Cazenga. Quando um grupo invadiu o local, tentou fugir. “Quando estava a fugir, descalço, pisei num caco e a polícia agarrou-me, agrediu-me e levou para a esquadra, contou o jovem que apresentava ainda ferimentos e caminhava em bicos de pés no tribunal.

O caso de Adão Manuel, estudante de saúde de 22 anos, resultou numa pena de um ano de prisão. Disse ter sido surpreendido por tiros na rua e ter-se refugiado num quintal. Foi aí que foi detido. Exibia um braço inflamado, preso com um elástico improvisado. “Fui agredido com um porrete (cassetete) no cotovelo”, relatou.

Lucau Manuel, pai de Adão, assistiu ao julgamento com tristeza.

“Isso dá dor, porque eu não o conheço nesses caminhos”, lamentou, dizendo ter sido informado pelos vizinhos da detenção do filho e que esperava pela sua absolvição.

Os jovens foram acusados do crime de participação em motim. Três terão sido detidos em flagrante, segundo os autos, a vandalizar e saquear estabelecimentos no Cazenga na terça-feira. O quarto foi preso no primeiro dia da paralisação dos taxistas, que descambou em atos de violência, pilhagens e confrontos com a polícia em Luanda e noutras províncias.

A Ordem dos Advogados de Angola montou entretanto uma equipa especial para prestar apoio jurídico gratuito aos detidos.

“Queremos dar um bocadinho de acalento aos arguidos e garantir uma defesa adequada, nos termos da lei”, explicou à Lusa o advogado Picasso Andrade, coordenador da equipa.

Segundo o causídico, as penas no âmbito do processo sumário variam entre três dias e três anos, mas muitos arguidos têm sido condenados a penas até um ano e meio e muitos casos têm sido alvo de recurso.

“Constatámos muitas incongruências”, disse. “Há absolvições justas. Estamos aqui em prol da defesa dos direitos fundamentais, liberdade e garantias dos arguidos.”

“Hoje estamos com uma lista de 25 advogados, tivemos um clima mais ou menos positivo, muito ao contrário dos dois dias anteriores”, resumiu Picasso Andrade.

2025.7.31 Luanda começa a regressar à normalidade após três dias de caos que fizeram 22 mortos e mais de mil detidos
Os protestos transformaram-se em tumultos violentos, com pilhagens e agressões na cidade de Luanda x1200
Foram contabilizados 22 mortos, 197 feridos e 1214 detidos x1200

A capital angolana tenta retomar o quotidiano após protestos violentos que deixaram um rasto de destruição e dezenas de vítimas

Luanda começou hoje a regressar à normalidade, após três dias de paralisação dos taxistas que deram origem a violentos tumultos, pilhagens e confrontos, provocando 22 mortos, 197 feridos e 1214 detenções, segundo as autoridades.

Esta manhã, o trânsito fluía com regularidade, embora a presença policial continuasse visível nas principais vias da capital.

Na estrada da Via Expressa, que liga o Zango a Cacuaco, a circulação era tranquila. As bombas de combustível permaneciam com fraca adesão e algumas mantinham vigilância policial.

Os armazéns de comerciantes chineses continuam com proteção reforçada, com viaturas da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) a inspecionar mochilas e pastas de quem acedia aos estabelecimentos comerciais.

Também o movimento de rua voltava gradualmente ao ritmo habitual, com zungueiras e vendedores ambulantes contentes com o regresso à “vida normal”, apesar de os vestígios de destruição dos pneus queimados no asfalto estarem ainda visíveis.

Mototaxistas, assim como os populares “azuis e brancos” (táxis privados), voltaram a circular em maior número, enquanto se acumulavam pessoas nas paragens a retomar as suas rotinas, a caminho dos locais de trabalho.

Na Praça da Independência, mais conhecida como Praça 1º de Maio, ponto central da capital angolana, o trânsito estava esta manhã bastante menos intenso do que o habitual, dando quase a impressão de um fim de semana.

Os atos de violência registaram-se na sequência de uma paralisação convocada por cooperativas e associações de táxis, em protesto contra a subida do preço dos combustíveis e das tarifas de transporte público.

O Governo classificou os acontecimentos como “atos de vandalismo” e levou hoje ao Conselho de Ministros o ponto de situação dos distúrbios.

O balanço foi apresentado pelo ministro do Interior, Manuel Homem, que deu conta de 22 mortos, 197 feridos e 1214 detenções apenas na província de Luanda.

Também as empresas do sector comercial e da distribuição alimentar foram fortemente afetadas pelas pilhagens, com a Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA) a considerar os acontecimentos um “desastre”.

2025.7.29 Cheira “pólvora” em Angola: Protestos contra custo de vida lançam caos em Luanda
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A capital angolana, Luanda, foi abalada por uma onda de protestos violentos, marcada por episódios de vandalismo e pilhagens, que já causaram vítimas mortais – apesar de ainda não haver dados oficiais.
Segundo uma publicação do Notícias ao Minuto, os distúrbios coincidiram com o primeiro dia de greve dos taxistas em Luanda, que reclamam a subida dos combustíveis, e com as manifestações (programadas também para terça e quarta-feira) contra o aumento do custo de vida em Angola.

Contudo, os ânimos inflamaram e grupos de jovens revoltados com as condições no país invadiram diversas zonas da cidade e das periferias, causando o caos. Estradas bloqueadas com barricadas e pneus incendiados, estabelecimentos comerciais e viaturas vandalizadas, incluindo autocarros e carros da polícia.

Em vídeos divulgados nas redes sociais, milhares de pessoas são vistas pelas ruas, carregadas com produtos pilhados de lojas ou a perseguir transportes que circulavam nas ruas. Alguns queimaram cartazes com a imagem do presidente angolano João Lourenço, que regressou ao país no dia dos tumultos, depois de uma visita de três dias a Portugal.

Nas ruas, as autoridades disparavam para o ar para tentar dispersar as multidões e repor a ordem na capital, e foram obrigados a interditar as vias barricadas e com pneus incendiados para controlar os distúrbios.

A Associação das Empresas do Comércio e da Distribuição Moderna de Angola (Ecodima) anunciou que todos os estabelecimentos comerciais iam fechar mais cedo temporariamente para assegurar a “salvaguarda de pessoas e bens”. Pelo menos nos próximos dias, o horário de encerramento passa a ser às 17h.

Ao longo do dia, outros estabelecimentos foram anunciando o encerramento dos balcões, pelo menos, até quarta-feira. Lojas, supermercados, e até algumas escolas, fecharam as portas por precaução, enquanto a capital angolana não regressa à normalidade.

O estado angolano não demorou a reagir aos desacatos em Luanda. Num comunicado lido em televisão nacional, o governo disse que as “acções criminosas que atentam contra a estabilidade pública representam um ataque ao Estado democrático e de direito e ao bem-estar dos cidadãos”.

Segundo o Ministério do Interior, “são atos premeditados de sabotagem e intimidação que não serão, em hipótese alguma, tolerados, pelo que as autoridades estão a tomar todas as medidas necessárias para a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, bem como para identificar, responsabilizar e levar à justiça os mandantes e executores desses atos deploráveis”.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da Polícia Nacional, o subcomissário Mateus Rodrigues garante que a situação já está sob controlo, e que cerca de 100 pessoas foram detidas por perturbação da ordem pública. E frisa que mais pessoas vão ser detidas e levadas à justiça pelos desacatos em Luanda.

“Temos dados, temos imagens, nós continuamos com a investigação e todos aqueles que praticaram os atos de pilhagem serão detidos, para além destes 100, haverá outras detenções e todos eles serão levados aos órgãos de justiça”, afirmou o subcomissário.

Neste último balanço (até ao momento) as autoridades deram conta de pelo menos 20 autocarros destruídos, sendo que os que foram danificados ainda estão por contabilizar.

Quanto às vítimas, a polícia não forneceu qualquer tipo de informação, nem sobre feridos durante os tumultos. Na primeira intervenção, tinham mencionado uma pessoa ferida, que terá sido, entretanto, socorrida.

No entanto, testemunhas garantem haver mortos, apesar de a polícia não adiantar estas informações.

O porta-voz da Polícia Nacional fez, no entanto, questão de realçar que os dados apresentados ainda são preliminares e que a polícia continua a receber informações de vários pontos da cidade onde os tumultos ocorreram.

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